terça-feira, 11 de agosto de 2009

Huckabees, a vida é uma comédia




Trecho do filme "Huckabeees". Markovsky trava o primeiro contato com o casal de "Detetives existenciais":
"(...)
Vivian - Nem sempre há significado (nas COINCIDÊNCIAS).
Markovski - Sim, significam algo.
V. - O quê?
M. - Isto é o que eu quero que descubra.
V. - Sobre a sua vida?
M. - Sim, sobre a minha vida e sobre a coisa toda. O Universo, sabe? O grandão. Quero dizer, devo fazer o que estou fazendo? Não há esperança?
V. - Sr. Markovski, vemos muita gente aqui que diz que quer saber a verdade sobre a realidade. Querem xeretar sob a superfície de tudo o que é grande. Mas pode ser um processo doloroso, cheio de surpresas. Pode desmantelar o seu mundo, este que você conhece. Por isto a maioria das pessoas prefere se manter na superfície das coisas. Talvez você deva ir para casa e esquecer isto (let sleeping dogs lie). Pegar leve. O que acha?
M. - Eu digo que não deve me ignorar. Por favor, eu quero saber. Isto é importante.
V. - O senhor já trascendeu espaço e tempo?
M. - Sim. Não. Tempo, espaço, não. Não, não sei o que está dizendo.
V. - Imagino que não ganhe muito dinheiro, Sr. Markovski.
M. - Isso vai ser um problema? Cobra caro por seus serviços?
V. - Varia de cliente para cliente. Alguns pagam US$ 30,00 por semana, alguns, mais ricos, pagam milhares de dólares.
M. - Não acredito que vocês existem. Há quanto tempo fazem isto?
V. - Dezessete anos, 352 casos.
M. - Que loucura. Vou pedir que fiquem longe do meu escritório, porque minha situação no trabalho está ligeiramente abalada.
V. - Quer que fiquemos longe do seu trabalho?
M. - Se forem ao meu escritório, podem pensar que sou instável, e isto pode me prejudicar.
(saindo desta sala)
V. - Eu quero que conheça meu colega. (encontram Bernard na sala contígua) Bernard? Este é o Sr. Markovski.
Bernard - Olá
V. - Ele terá que ser assistido gratuitamente.
B. - Tudo bem.
(...)
B. - Ok. Vamos começar. (abre entre seus braços um lençol branco)
M. - Isto é parte da minha investigação?
B. - Sim. Digamos que este lençol represente toda a matéria e energia do universo, certo? Você, eu, tudo. Nada ficou de fora, está bem? Todas as partítulas.
M. - O que está fora do lençol?
B. - Mais lençóis, eis a questão.
M. - O lençol é tudo.
B. - Exato. Isto é tudo. Digamos que este sou eu, certo? (levanta uma parte do lençol com uma mão) Eu tenho 65 anos e estou usando um terno cinza, blá, blá, blá. (levanta outra parte do lençlo com a outra mão) E digamos que este, aqui, é você. Você tem 21 ans, cabelo escuro, etc, (levanta outras partes do lençol e vai indicando) e aqui, esta é Vivian, minha mulher e colega. E aqui, a Torre Eiffel, certo? É Paris. E isto é uma guerra, e isto, um museu, isto é uma doença, isto, um orgasmo, isto, um hamburguer.
M. - Tudo é igual mesmo sendo diferente.
B. - Exato. Mas nosso cérebro esquece isto. Achamos que tudo é separado, limitado. Eu estou aqui, você está aí, o que é verdade, mas não é totalmente verdade. Porque estamos conectados. Porque nós-estamos-conectados.
M. - Claro. Claro. Claro.
B. - Certo. Agora, precisamos aprender a ver a verdade do lençol o tempo todo. Nas coisas do dia a dia. É para isto que serve isto.
M. - Por quê?
B. - Por que o quê?
M. - Por que preciso aprender a ver o lance do lençol o tempo todo?
B. - Bem, você não quer deixar de ver o quadro maior, quer?
M. - Não.
B. - Este é um dos motivos porque está aqui. É isto aqui. Estou falando sobre tudo agora, vai levar um tempo para você entender. Mas isto vai ajudá-lo (abre uma espécie de saco com zíper, destes pretos, não convidativos rsss)
M. - Como?
B. - Quando entender o lance do lençol, poderá relaxar, porque tudo que sempre quis ter, ou ser, você já tem e é. Não parece legal?
M. - Parece muito bom.
B. - Muito bem, entre.
M. - Você quer que eu entre?
B. - Sim.
M. - Então... eu devo entrar aí.
B. - Sim.
M. - O que vai acontecer comigo?
B. - Ei, você vai ver. Vai descobrir.
(Markovski entra, e vê o zíper sendo fechado)
B. - O propósito disto é ajudá-lo a esquecer suas percepções do dia-a-dia e renunciar à sua identidade comum, que acha que o separa das outras coisas. Esta sala. Esta rua. Esta cidade. Este país. Esta economia. Esta história. Este planeta. Seu corpo, seus sentidos, seu emprego. Tudo com o que se identifica.
(...)"
Faz lembrar a terapia com a Aditi, só que a gente não entra em um saco preto, assustador. rs Ao contrário: tem que respirar, e mergulhar para dentro.
Lembra muito o Avatar. Tem algo de física quântica, sincronicidade... e por aí afora.
Comédia doida. Elenco sensacional. Quem tiver interesse em saber mais:

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