domingo, 22 de maio de 2016

Meditação de enraizamento


Os Chakras são vórtices esféricos que agem como transmissores e receptores para a energia vital. Alteram nossa atividade no plano físico, por meio da função das glândulas endócrinas. Estas glândulas afetam a substância física no nível das funções orgânicas, do equilíbrio mental e da integridade emocional.
Para fazer esta meditação guiada, você pode fazer um ritual de abertura, tal como acender uma vela ou um incenso e você estará pronto para começar.
chakra location color
1. Sente-se, ou permaneça em pé, em posição que lhe seja mais confortável, se possível descalço, com a planta dos pés inteira em contato com chão. Feche os olhos. Concentre-se em sua respiração. Sinta seu corpo relaxar. Relaxe seu corpo, especialmente seus braços, suas costas, seus ombros e seu pescoço. Respire lenta e profundamente, tranqüilizando-se mais e mais a cada respiração.

2. Quando se sentir relaxado, visualize que da planta de seus pés, começam a nascer raízes, que vão crescendo para baixo lentamente, ramificando-se, e penetrando suavemente à Terra. Aos poucos, suavemente, suas raízes crescem até atingir o centro da terra. Sinta-se neste momento estável e com equilíbrio.

3. A cada suave e profunda expiração, com suas raízes na terra, descarregue todas as tensões do seu corpo através de suas raízes. A terra transmuta energias. Descarregue agora na terra medos, ansiedade, angústia, mágoa, raiva. Solte pelas raízes tristezas, decepção, frustração, cansaço. Deixe na terra todos os sentimentos e sensações negativas que ainda estejam aí.


4. Quando sentir alívio e abertura, inicie por absorver a energia pura da Terra por todas as suas raízes. A terra alimenta, cura e equilibra. A cada inspiração, absorva a energia curativa da Terra. Sinta por estes momentos a energia fresca da terra e imagine todo o seu corpo alimentado por essa energia

5. Sinta agora que a energia absorvida entra na base da sua coluna, concentrando-se em seu primeiro chakra: o chakra raiz ou básico. Visualize neste chakra uma bola de luz vermelha brilhando intensamente. Com a abertura e ativação, neste momento, você se sente à vontade neste mundo, confortável com seu senso de segurança. Sente profunda vontade de viver.


6. Em seu tempo, permita que a energia vinda da Terra, assumindo a cor alaranjada, continue a subir por sua coluna até alcançar seu o segundo chakra: o chakra sacro ou umbilical, que se localiza quatro dedos abaixo do seu umbigo. Visualize nesta região de seu corpo uma bola irradiando intensa luz na cor alaranjada. Com a abertura e energização deste chakra, você se sente agora com capacidade de sentir prazer e satisfação no seu corpo, sente a energia criativa e sexual fluindo livremente.

7. Quando sentir-se pronto, no seu tempo, suavemente sinta a energia da Terra subindo agora na cor amarela, até atingir o terceiro chakra, do Plexo Solar. Visualize um sol de luz amarela vibrante tomando o seu Plexo Solar. Tome consciência de que você é forte, sadio, e tem poder de concretizar tudo o que veio para fazer nesta vida. Sinta-se capaz de concretizar seus desejos, sinta-se um ser inteiro, dotado da capacidade de realizar o que queira.

8. Sinta que aos poucos, em seu tempo, a energia flui e assumindo a cor verde, sobe até o chakra cardíaco. Visualize uma linda bola de luz verde brilhando no meio do seu peito. Sinta agora a sua ligação com a natureza amorosa, com a força e a ternura de seus sentimentos. Tenha consciência de que você é um ser de amor que veio a este mundo para sentir amor, para dar e para receber amor.

9. Deixe a energia continuar a subir mais um pouco, até um ponto do seu peito localizado entre o chakra cardíaco e o da garganta, onde está o Timo, o chakra do amor incondicional e da compaixão. Visualize neste ponto uma linda bola de luz na cor rosa. Sinta a sua ligação com a sua família, com seus amigos e com toda a humanidade. Tenha consciência de que você é único, e é parte da humanidade. você está ligado a todas as pessoas e a tudo o que existe.


10. No seu tempo, permita que a energia da Terra continue a subir, assumindo agora a cor azul celeste, tomando sua garganta, onde está o chakra laríngeo. Visualize no chakra uma bola de luz azul-celeste brilhante. Se sentir vontade, você pode emitir algum som, qualquer som ou ruído que lhe traga alívio ou satisfação. Isto vai massagear-lhe os músculos da garganta e abrir o seu centro de comunicação. Solte o que estiver preso nesta região. Com o equilíbrio deste chakra, você se sente verdadeiramente aberto para a comunicação e com equilíbrio entre ouvir e falar.

11. Quando se sentir pronto, sinta a energia agora na cor azul índigo subindo até o ponto localizado na sua testa, entre as sobrancelhas. Visualize uma bola de luz azul-anil brilhando dentro da sua testa. Ao ativar este chakra, você sente a expanção de sua consciência, e pode ficar desperto para a sua intuição e percepção extra-sensorial,


12. No seu tempo, visualize uma cascata de luz violeta descendo do céu e entrando em sua cabeça pelo chakra da coroa, você se sente neste momento ligado aos céus, recebendo uma revigorante carga de energia cósmica. Permita que agora a energia ilumine com luz violeta todo o topo da sua cabeça. Sinta-se conectado à sua consciência divina, ao seu Eu Superior. Concentre-se nesse ponto e continue respirando de maneira suave e profunda, cada vez mais tranqüila, permitindo que a energia aumente a intensidade.

13. Volte sua consciência para suas raízes, no centro da terra, e visualize a energia que sobe da Terra, passando suavemente por cada um dos seus chakras, chakra básico, chakra sacro, chakra do plexo solar, chakra cardíaco, timo, chakra laríngeo, terceiro olho, e por fim encontra a energia cósmica no topo de sua cabeça.


14. Visualize que com o encontro destas duas energias, vai formando-se uma bola de luz na cor prata, que suavemente vai se expandindo e envolvendo todo o seu corpo

15. A luz prata continua a se expandir até tomar todos os seus corpos sutis, limpando e purificando o seu corpo físico, equilibrando, curando e harmonizando todos os seus chakras, bem como todos os seus corpos etéreos.


16. Continue a respirar de forma suave e uniforme. Sinta todos os seus chakras enchendo-se de luz e em rotação.

17. Sinta as energias vindas do Céu e da Terra fluindo através de cada um dos seus chakras e ligando o seu corpo ao cosmos. Tome consciência neste momento de todos os seus chakras de uma só vez, ativos e abertos, absorvendo e distribuindo a energia vital ao seu corpo etéreo e corpo físico. Sinta-se saudável.

18. Observe a sua respiração. Sinta-se em profunda serenidade e equilíbrio, a cada respiração você se sente melhor, mais equilibrado, com mais saúde. E aos poucos vá recuperando a consciência do seu corpo e do lugar onde você se encontra. Quando estiver pronto, no seu tempo, abra vagarosamente os olhos.


A redação é minha, o conhecimento foi repassado por Simone Trentini - Fonte: desconhecida

terça-feira, 29 de maio de 2012

UMA EXPERIÊNCIA ESSENCIAL - GANGAJI



"Há o que eu chamaria de "uma experiência essencial", um momento no qual há uma mudança na consciência. E é essencial porque, até aquele momento, todos falam de ser "verdadeiro" ou "vigilante" ou "falando a verdade" e isso é abstrato - como algo que você iria aprender na sala de aula. Nada disto pode ter significado concreto em sua vida até que você tenha passado por essa experiência. Com esta mudança na consciência, o que não era conhecido é subitamente visto. E esse reconhecimento é a sorte de uma vida. É uma bênção de uma vida. É uma graça vindo à tona. A graça que foi coberta surge naquele momento.




Esse reconhecimento é o começo. Pode ser o fim dos erros de identificação. Pode ser o fim. Mas com a maioria dos seres humanos normais, é o começo. Estamos tão dependentes dos poderes da mente, que o que normalmente ocorre logo depois dessa experiência é um pensamento: "Como faço para manter isso?" ou "Não poderia ser assim tão simples" ou "Eu nunca vou perder isso." Seja qual for o pensamento, ele é seguido por outro pensamento. E, eventualmente, o pensamento conduz para: "Bem, o que aconteceu? Isso aconteceu? Era real?" Depois, há a sensação de estar "perdido". E a busca começa novamente - a busca exterior. Ou, existe o pensamento, "eu me lembro o que fiz. Eu enfrentei a minha emoção. Entrei no meu medo. Vou fazer isso agora e consegui-lo de volta. Vou tê-lo de volta”. Esta é a mesma busca, mas agora você está usando um movimento íntimo para ir de dentro para fora. Torna-se um exercício, um processo, algo a fazer para alcançar o que você é. E talvez pareça funcionar meia dúzia de vezes. Mas, torna-se obsoleto, porque se baseia em uma mentira: você ainda está a tentar alcançar o que você é. Você não pode "conseguir" o que você é. Isso está claro? 


Você não pode alcançar aquilo que você é. Para alcançar algo, deve haver "você" e "algo". E você alcança e você chega e obtém algo. Como é que você obtém o que você é? Aonde você pretende chegar? E você não pode "compreender" quem você é. Você pode ler a expressão "Eu sou a Verdade, eu sou a Consciência", e pode sentir-se bem. Pode vibrar com isso. Você pode cantar isso. É uma sensação boa. Você pode pedir por isso. Você pode ler sobre grandes santos e sábios. É uma sensação boa, é útil, e não há nada de errado com nada disso. Mas finalmente, tem de haver uma vontade de ser quem você é. E para a maioria das pessoas, isto é absolutamente amedrontador. Porque o que a maioria das pessoas suspeitam que são, é a pior coisa imaginável: uma criatura de imperfeição e falta, cheia de feiúra e estupidez. Mesmo que haja uma máscara de conhecimento superior ou realização, debaixo disso temos uma crença de que você está deformado, feio, irresgatável, alma perdida separados de Deus. Certo? Você tem que saber isso. 


Toda a nossa atividade é uma tentativa de escapar disso. Mesmo após o "momento essencial", o esforço para escapar continua: tentar "obter" o momento de volta, alegando que possa "mantê-lo". Tudo isso é alimentado por uma profundamente arraigada crença de que você é um feio, antipático, algo que está separado de Deus. E você nunca pode trabalhar duro o suficiente ou ser suficientemente bom para ser reunificado com Deus. 


Então esse é o dilema. Esta crença oculta conflita com a enorme, cósmica ânsia de descobrir quem realmente é. E a vida espiritual torna-se muitas vezes uma vida de tortura, auto-tortura. Esta batalha entre ego e superego, entre o "mais alto ser” e o "ser inferior", entre mim e eu, é apenas para evitar experimentar a feiúra que você acredita ser. 


Lembro-me de ler uma vez que TRUNGPA (um professor espiritual) disse: "Nunca incentive seus amigos para entrar na vida espiritual, é uma vida dura". E a maioria de nós entra atropeladamente com a idéia de que nos fará feliz para sempre. Mas então algo te agarra pelo pescoço e diz que "pare aqui, diga a verdade, enfrente a verdade, seja você mesmo". 


Então eu convido você a estar disposto a ser agarrado pelo pescoço, a ser levado até o chão até que você se entregue para a verdade, independentemente do resultado. Pronto? Você não estaria aqui lendo isso, se já não estivesse. Porque você já descobriu que a investigação sobre a sua verdade não vai dar-lhe grandes poderes ou riqueza, ou felicidade. Na verdade, nada é oferecido. Tudo lhe será tirado; tudo o que você tiver acumulado, tudo que você aprendeu. Tudo que você tiver armazenado é revelado como vazio, como uma ilusão que só o mantém separado de si mesmo. Este é um negócio radical. É extremamente grave. É um negócio prazeroso, um simples negócio. Mas não é para os fracos de coração. É preciso a coragem de uma vida, porque tudo em nós, todo o nosso condicionamento diz: "Não, não. Não vá lá. Não toque nisso. Não faça isso." E ainda quando você atingir um determinado estágio da ânsia, tudo em sua vida está a dizer "você precisa, tem que descobrir a verdade, tem que saber, tem que ser verdadeiro". E então você vai ver onde está a sua lealdade, onde a atenção é." 


Gangaji

terça-feira, 22 de maio de 2012

O que é amor? - Osho




"É triste que tenhamos de fazer esta pergunta. No curso natural das coisas, todos saberiam o que é amor. Mas entendo que ninguém saiba - ou apenas muito raramente - o que é amor. O amor tornou-se uma das mais raras experiências. Sim, fala-se sobre ele, filma-se, estórias são escritas sobre ele, canções são compostas, filmes são feitos, na televisão você o verá, no rádio, nas revistas - uma grande indústria continuamente o supre com a idéia do que é o amor. Muitas pessoas estão continuamente envolvidas nisso, ajudando as pessoas a entenderem o que é o amor. Poetas, autores, novelistas - todos eles continuam.


Mas ainda assim o amor permanece um fenômeno desconhecido. E deveria ser um dos mais conhecidos. É quase como se alguém viesse e perguntasse: "O que é comida?" Você não ficaria surpreso se viesse alguém é perguntasse: "O que é comida?" Se alguém tem passado fome desde o início e nunca experimentou comida, a pergunta será relevante. Assim é esta pergunta.


Você pergunta: O que é amor? Amor é o alimento da alma. Mas você tem passado fome. Sua alma não recebeu nenhum amor, por isso você não lhe conhece o sabor. Sua pergunta é relevante, mas é infeliz. O corpo recebeu alimento, por isso ele continua; mas a alma não recebeu nenhum alimento, por isso a alma está morta, ou não nasceu ainda, ou está sempre em seu leito de morte.


Quando uma criança nasce, ela nasce totalmente; ela está totalmente equipada coma capacidade de amar e de ser amada. Toda criança nasce cheia de amor e sabe perfeitamente o que ele é. Não há nenhuma necessidade de se dizer à criança o que é amor. O problema surge porque a mãe e o pai não sabem o que é amor. Nenhuma criança tem os pais que merece - nenhuma criança jamais tem os pais que merece. Esses pais simplesmente não existem na terra. E quando essa criança se tornar um pai, ela terá perdido a capacidade de amar.


É quase como... No México há um vale onde as crianças nascem e, em três meses, ficam cegas. É uma sociedade pequena, primitiva. Lá existe uma mosca que é venenosa aos olhos, por isso a sociedade toda é cega. Toda criança nasce com olhos - olhos funcionando perfeitamente - mas em três meses há um ataque da mosca e o veneno entra no sistema e os olhos ficam cegos. Bem, mais tarde na vida, a criança perguntará: "O que são olhos? O que você quer dizer quando usa a palavra "olho"? O que é visão? O que é ver? O que você quer dizer?" E a pergunta será relevante. A criança nasceu com olhos, mas eles foram perdidos em algum lugar no caminho daquilo a que se chama crescimento.


Eis o que aconteceu com o amor. Toda criança nasce com tanto amor quanto se pode conter, com mais amor do que se pode conter, com amor transbordante. A criança nasce como amor, a criança é feita da matéria chamada amor. Mas os pais não podem dar amor. Eles têm suas própria ssobras - os pais deles nunca os amaram. Os pais podem apenas fingir. Eles podem falar sobre o amor. Eles podem dizer: "Nós o amamos muito", mas, o que quer que eles façam, é muito desamoroso. O modo como eles se comportam, o modo como tratam a criança é muito insultante; não há nenhum respeito. Nenhum pai respeita a criança. Quem pensa em respeitar uma criança? Uma criança de forma alguma é considerada uma pessoa. Uma criança é considerada um problema. Se ela fica quieta, é boa; se não grita, se não é um terapeuta primal - bom; se ela fica fora do caminho dos pais - perfeitamente bom. Assim é que uma criança deveria ser.


Mas não há nenhum respeito e nenhum amor. Os pais não conheceram o que é amor. A mãe não amou o marido, o marido não amou a esposa. O amor não existe aí. O domínio, a possessividade, o ciúme, e todos os demais tipos de veneno que destroem o amor estão aí. Assim como certo veneno pode destruir sua visão, o veneno da possessividade e do ciúme também destroem o amor.


O amor é uma flor muito frágil. Ele tem de ser protegido, tem de ser reforçado, tem de ser aguado; só então é que ele se torna forte. E o amor da criança é muito frágil - naturalmente - pois a criança é frágil, seu corpo é frágil. Você acha que uma criança deixada sozinha será capaz de sobreviver? Pense como o homem é indefeso. Se uma criança for deixada sozinha, será quase impossível ela sobreviver. Ela morrerá. E isso é o que está acontecendo ao amor.


O amor é deixado sozinho. Os pais não podem amar, não sabem o que é amor, nunca fluíram no amor. Lembre-se de seus próprios pais. E, lembre-se, não estou dizendo que eles sejam responsáveis. Eles são vítimas, assim como você - os próprios pais deles eram a mesma coisa. E assim por diante... Você pode voltar a Adão e Eva, a Deus, o Pai.


Parece que mesmo Deus, o Pai, não teve muito respeito por Adão e Eva, não teve respeito bastante. É por isso que, desde o início, Ele começou a comandá-los. "Faça isso" e "não faça aquilo", e Ele começou a fazer todas as bobagens que todos os pais fazem. "Não coma a fruta desta árvore". E quando Adão comeu a fruta, o Pai, Deus, ficou tão bravo que expulsou Adão e Eva do paraíso.


Essa expulsão está sempre aí, e todo pai ameaça expulsar a criança, jogá-la para fora. "Se você não escutar, se não se comportar, será expulso". E, naturalmente, uma criança tem medo. Expulsa? Ela começa a se comprometer. A criança pouco a pouco se torna um distorcedor. Ela começa a manipular.


Ela não quer sorrir, mas se a mãe está vindo e a criança quer leite, ela sorri. Isso é política - o início, o ABC da política. No fundo, ela começa a odiar, porque ela não é respeitada; no fundo, ela começa a sentir-se frustrada por não ser amada como é. Espera-se que ela faça certas coisas e somente então é que ela será amada. O amor tem algumas condições; ela não é digna, assim como é. Primeiro ela tem de se tornar digna, depois o amor dos pais será possível.


Assim, ela começa a se tornar digna e começa a se tornar falsa; ela perde seu valor intrínseco. Pouco a pouco seu respeito por si própria é perdido, ela começa a sentir-se indigna. Ela começa a sentir-se culpada. E muitas vezes uma idéia vem à mente da criança: "Esses são meus pais verdadeiros? É possível que eles tenham me adotado? Talvez eles estejam me enganando, porque não parece haver nenhum amor". E mil e uma vezes ela vê a raiva nos olhos deles, a feia raiva na face dos pais, e por coisas tão pequenas que ela não pode ver a proporção disso. Apenas por coisas muito pequenas ela vê a ira dos pais. Ela não pode acreditar nisso. É tão injusto e desleal. Mas ela tem de se entregar, tem de se curvar, tem de aceitar isso como uma necessidade. Pouco a pouco sua capacidade de amar é morta.


O amor cresce apenas no amor. O amor precisa de um ambiente de amor - isso é a coisa mais fundamental a ser lembrada. Apenas num ambiente de amor é que o amor cresce. Ela precisa do mesmo tipo de pulsação ao redor. Se amãe é amorosa, se o pai é amoroso, não apenas coma criança, se eles são amorosos um com o outro também, se a casa tem uma atmosfera amorosa onde o amor floresce, a criança começará a funcionar como um ser amoroso, e nunca fará a pergunta: "O que é amor?" Ela o conhecerá desde o próprio início, ele se tornará seu alicerce.


Mas isso não acontece. É triste, mas isso não tem acontecido até agora. E você aprende os modos de seus pais, seus resmungos, seus conflitos. Simplesmente fique se observando. Se você for uma mulher, observe. Você talvez esteja repetindo, quase repetindo, as maneiras como sua mãe costumava se comportar. Observe-se quando você estiver com seu namorado ou com seu marido - o que você está fazendo? Não está repetindo? Se você for um homem, observe! O que está fazendo? Você não está sendo seu pai? Não está fazendo a mesma tolice que ele costumava fazer? E um dia você ficou surpreso - "Como papai pôde fazer isso?" - e você está fazendo o mesmo. As pessoas ficam repetindo; aspessoas são imitadoras; o homem é um macaco. Você está repetindo seu pai ou sua mãe e isso tem de ser abandonado. Somente então você saberá o que é amor, caso contrário, você permanecerá corrompido.


Eu não posso definir o amor, porque não há nenhuma definição de amor. É uma dessas coisas indefiníveis como o nascimento, a morte, Deus, meditação. É uma dessas coisas indefiníveis - eu não posso defini-lo.


Não posso dizer que isso é amor, não posso mostrá-lo a você. Ele não é um fenômeno visível. Ele não pode ser dissecado, não pode ser analisado; só pode ser experimentado. E só através da experiência é que você sabe o que é. Mas eu posso lhe mostrar o caminho para experimentá-lo.


O primeiro passo é: livre-se de seus pais. E com isso não quero dizer nenhum desrespeito a seus pais, não. Eu seria a última pessoa a lhe dizer isso. Eu não quero dizer para você livrar-se de seus pais fisicamente, eu quero dizer para você livrar-se das vozes paternas interiormente, o seu programa interior, suas fitas interiores. Apague-os... e ficará surpreso ao constatar que se se livrar de seus pais no seu ser interior, você se tornará livre. Pela primeira vez, você será capaz de sentir compaixão por seus pais - caso contrário, não; você permanecerá ressentido. Toda pessoa é ressentida em relação a seus pais.


Como você pode não ser ressentido se eles causaram tanto dano a você - embora não conscientemente? Eles desejavam o melhor para você, eles queriam fazer tudo pelo seu bem-estar. Mas o que eles podem fazer? Simplesmente por querer, nada acontece; só por boas intenções, nada acontece. Eles são bem intencionados, isso é verdade. Não há nenhuma dúvida sobre isso. Todo pai quer que a criança tenha todas as alegrias da vida. Mas o que ele pode fazer? Ele é um robô e, consciente ou inconscientemente, deliberadamente ou não, ele criará uma atmosfera na qual a criança mais cedo ou mais tarde, será transformada num robô.


Se você quiser tornar-se um homem, não uma máquina, livre-se de seus pais. E você terá de observar. É um trabalho pesado, trabalho árduo; você não pode fazê-lo instantaneamente. Terá de ser muito cuidadoso no seu comportamento. Observe quando sua mãe estiver aí, funcionando através de você - pare com isso, afaste-se disso. Faça algo absolutamente novo que sua mãe nem mesmo pudesse conceber.


Por exemplo, seu namorado está olhando para alguma outra mulher com muita admiração nos olhos. Agora observe o que você está fazendo. Está fazendo o que sua mãe teria feito no caso de seu pai olhar para uma outra mulher com admiração? Se fizer isso, nunca saberá o que é amor, você simplesmente estará repetindo uma estória. Será o mesmo ato sendo desempenhado por atores diferentes, é tudo; o mesmo ato apodrecido sendo repetido muitas e muitas vezes. Não seja um imitador, caia fora disso. Faça algo novo. Faça algo que sua mãe não pudesse ter concebido. Faça algo novo que seu pai não pudesse ter concebido.


Essa inovação tem de ser trazida a seu ser, então o amor começará a fluir."
do livro "Sufis, o Povo do Caminho"

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Quem é você realmente (Gangaji - O diamante em seu bolso) Legendado




‎"QUEM É VOCÊ REALMENTE?

Qualquer pensamento que você teve sobre si mesmo, por mais desinflado ou inflado, não é quem você é. É simplesmente um pensamento. 

A verdade de quem você é não pode ser pensada, porque ela é a fonte de todos os pensamentos.

A verdade de quem você é não pode ser nomeada ou definida.

Palavras como alma, luz, Deus, verdade, 'self', consciência universal ou divindade, mesmo que capazes de evocar o êxtase da verdade, são totalmente inadequadas como descrição da imensidade de que você realmente é.

Independente de como você se identifica: como criança, adolescente, uma mãe, um pai, uma pessoas mais velha, uma pessoa mais saudável, uma pessoa doente, uma pessoa que sofre ou uma pessoa iluminada, sempre por trás de tudo isso está a verdade de você mesmo. Ela não é estranha para você. Ela está tão próxima que você não consegue acreditar que é você.

A verdade de quem você é, é intocada por qualquer conceito sobre quem você é, seja ignorante ou iluminado, sem valor ou grandioso.

A verdade de quem você é, é livre de tudo isso. Você é livre e tudo que bloqueia sua realização desta liberdade é seu apego a alguma idéia sobre quem você é.

Este pensamento não impede que você seja a verdade de quem você é. Você já é isso!

Ele apenas separa você de realização de quem você é.

Convido você a deixar sua atenção mergulhar naquilo que sempre esteve aqui esperando abertamente por sua própria autorrealização.

Quem é você realmente?

Você é alguma imagem que aparece em sua mente? Você é alguma sensação que aparece em seu corpo?

Você é alguma emoção que passa por sua mente e corpo?

Você é algo que alguém disse que você é ou uma rebelião contra algo que alguém disse que você é?

Estas são algumas das muitas vias de erros de identificação. Todas essa definições vêm e vão, nascem e depois morrem. A verdade de quem você é não vem e vai. Ela está presente do nascimento, durante toda uma vida e após a morte.

Descobrir a verdade sobre quem você é não é apenas possível, é o seu direito de nascença. Qualquer pensamento que esta descoberta não seja para você, agora não é o tempo, você não é digno, você não está pronto, você já sabe quem é, são apenas truques da mente.

Está na hora de investigar este pensamento sobre “eu”, e ver qual é a sua validade real. Nesta investigação existe uma abertura para que a consciência inteligente que você é finalmente reconheça a si mesma. A pergunta mais importante que você jamais pode perguntar-se é: Quem sou eu?

De certa forma esta tem sido uma questão implícita perguntada em cada etapa de sua vida. Toda atividade, seja individual ou coletiva, é motivada em sua raiz por uma busca de auto-definição.

Tipicamente, você busca por uma resposta positiva a esta pergunta e foge de uma resposta negativa.

Quando esta questão se torna explícita, o impulso e o poder da pergunta direcionam a busca pela verdadeira resposta, que é aberta, viva e cheia de insights cada vez mais profundos.

Você experimenta tanto o sucesso como a fracasso.

Após um certo estágio, cedo ou tarde, você percebe que quem você é, independente da definição, não é satisfatório.

Se esta questão não for verdadeiramente respondida, não apenas convencionalmente respondida, você vai continuar com fome de saber.

Porque, independente de como você tenha sido definido por outros bem intencionados ou não e independente de como você tenha definido a si mesmo, nenhuma definição pode trazer certeza duradoura.

O momento em que se reconhece que esta pergunta é crucial. Ele é muitas vezes referido como o momento de amadurecimento espiritual. A partir deste ponto você pode conscientemente investigar quem você realmete é.

Em seu poder e simplicidade a questão: “quem sou eu?” lança a mente de volta a raiz da identificação pessoal: a suposição básica “ eu sou alguém”.

Ao invés da automaticamente aceitar esta suposição como a verdade, você pode investigar mais profundamente. Não é difícil ver que este pensamento inicial 'eu sou alguém' leva a todos os tipos de estratégias: ser alguém melhor, alguém mais protegido, alguém com mais prazer, mais conforto e mais realização. Mas quando este pensamento muito básico é questionado, a mente encontra o eu, que se assume estar separado daquilo que ela vinha procurando.

Isso é chamado de autoinvestigação.

A pergunta mais básica: 'quem sou eu?' é aquela que é a mais negligenciada.

Passamos a maior parte dos nossos dias dizendo a nós mesmos ou aos outros, que somos alguém importante, alguém sem importância, alguém grande, alguém pequeno, alguém jovem ou alguém velho,sem nunca realmente questionar esta suposição mais básica.

Quem você realmente é?

Como você sabe que É quem você é? Isso é verdade? Realmente?

Quando você voltar sua atenção para a questão: 'quem sou eu?', talvez você veja uma entidade que tem seu rosto e seu corpo. Mas quem está ciente deste entidade? Você é o objeto ou você é a percepção do objeto? Objeto vem e vai. O pai, a criança, o amante, o abandono, o iluminado, o vitorioso, o derrotado. Todas estas identificações vem e vão.

A percepção destas identificações está sempre presente. A identificação errada de si mesmo como alguém objeto dentro da percepção leva a extremo prazer ou extrema dor e ciclos intermináveis de sofrimento.

Quando você está disposto a parar a identificação errada e descobrir direta e completamente que você é a própria percepção e não estas definições impermanentes, a busca por você mesmo nos pensamentos termina.
Quando a pergutna: “quem?” é perseguida de forma inocente, pura, por todo caminho de volta a sua origem, surge uma enorme e espantosa realização. Não há absolutamente nehuma entidade ali. Há apenas o indefinível e ilimitado reconhecimento de si mesmo, como inseparável de qualquer outra coisa. 

Você está livre.

Você está completo. Você é infinito. Não há nenhum fundo em você, nenhum limite em você.

Qualquer idéia sobre você aparece em você e desaparecerá de volta em você.

Você é percepção e percepçãp é consciência.

Deixe todas as autodefinições morrerem neste momento. Deixe todas irem, e veja o que resta. Veja o que nunca nasce e o que não morre.

Sinta o alívio de se desfazer da carga de definir a si mesmo.

Experiencie a efetiva não-realidade da carga.

Experiencie a alegria que está aqui.

Descanse na paz infinita de sua verdadeira natureza, antes que qualquer pensamento de 'eu' surja."

Gangaji, do livro "O diamante no seu bolso"



terça-feira, 1 de novembro de 2011

A MORTE DO EGO - Eckhart Tolle

"ALÉM DO EGO: NOSSA VERDADEIRA IDENTIDADE
Quando o ego está em guerra, saiba que isso não passa de uma ilusão que está lutando para sobreviver. Essa ilusão pensa ser nós. A princípio, não é fácil estarmos lá como testemunhas, no estado de presença, sobretudo quando o ego se encontra nessa situação ou quando um padrão emocional do passado é ativado. No entanto, depois que sentimos o gosto dessa experiência, nosso poder de atingir o estado de presença começa a crescer e o ego perde o domínio que tem sobre nós. E, assim, chega à nossa vida um poder que é muito maior do que o ego, maior do que a mente. Tudo de que precisamos para nos livrar do ego é estarmos conscientes dele, uma vez que ele e a consciência são incompatíveis. A consciência é o poder oculto dentro do momento presente. É por isso que podemos chamá-la de presença. O propósito supremo da existência humana, isto é, de cada um de nós, é trazer esse poder ao mundo. E é também por isso que nossa libertação do ego não pode ser transformada numa meta a ser atingida em algum ponto no futuro. Somente a presença é capaz de nos libertar dele, pois só podemos estar presentes agora - e não ontem nem amanhã. Apenas ela consegue desfazer o passado em nós e assim transformar nosso estado de consciência. O que é a compreensão da espiritualidade? A crença de que somos espíritos? Não, isso é um pensamento. De fato, ele está um pouco mais próximo da verdade do que a idéia de que somos a pessoa descrita na nossa certidão de nascimento, mas, ainda assim, é um pensamento. A compreensão da espiritualidade é ver com clareza que o que nós percebemos, vivenciamos, pensamos ou sentimos não é, em última análise, quem somos, que não podemos nos encontrar em todas essas coisas, que são transitórias e se acabam continuamente. E provável que Buda tenha sido o primeiro ser humano a entender isso, e dessa maneira anata (a noção do não-eu) se tornou um dos pontos centrais dos seus ensinamentos. E, quando Jesus disse "Negue-se a si mesmo", sua intenção era afirmar: negue (e assim desfaça) a ilusão do eu. Se o eu - o ego - fosse de fato quem somos, seria um absurdo "negá-lo". O que permanece é a luz da consciência, sob a qual percepções, sensações, pensamentos e sentimentos vêm e vão. Isso é o Ser, o mais profundo e verdadeiro eu. Quando sabemos que somos isso, qualquer coisa que ocorra na nossa vida deixa de ter importância absoluta para adquirir importância apenas relativa. Respeitamos os acontecimentos, mas eles perdem sua seriedade plena, seu peso. A única coisa que faz diferença realmente é isto: podemos sentir nosso Ser essencial, o "eu sou", como o pano de fundo da nossa vida o tempo todo? Para ser mais exato, conseguimos sentir o "eu sou" que somos neste momento? Somos capazes de sentir nossa identidade essencial como consciência propriamente dita? Ou estamos nos perdendo no que acontece, na mente, no mundo?

quinta-feira, 17 de março de 2011

Ensaio do Psicanalista e Professor Raymundo de Lima: "O fanatismo religioso entre outros"

"O fanatismo religioso entre outros
Breve Ensaio
"O diabo empalidece comparado a quem dispõe de uma única verdade" (Emil Cioran)
"...todos os crentes parecem escandalosos e indiscretos: procura evitá-los" (Nietzsche)

Em nossa época, supostamente dominada pela ciência e pela tecnologia, o fanatismo parece ser uma reação made in recalcado do inconsciente da humanidade. Fanatismo, vem do latim fanaticus, quer dizer "o que pertence a um templo", fanum. O indivíduo fanático  ocupa o lugar de escravo diante do senhor absoluto, que, pode ser uma divindade, um líder mundano, uma causa suprema ou uma fé cega. O fanatismo é alimentado por um sistema de crenças absolutas e irracionais  que visa  servir [1] à um ser  poderoso empenhado na luta contra o Mal. Ou seja, o fanático acha que pode exorcizar pessoas e coisas supostamente possuídas pelo demônio" [2] , "combater as forças do Mal" ou "salvar a humanidade" do caos.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A PLURALIDADE E O DIÁLOGO ENTRE RELIGIÕES - ARTIGO DO PADRE JOACHIM ANDRADE

Padre Joachim é professor de dança clássica indiana
Neste final de semana fiz o último módulo do curso de "Capacitação em Hatha Yoga", coordenado pelo Professor Marcos Rojo e organizado por Angélica e Aníbal, do Matsyendra Yoga. O Padre Joaquim, indiano radicado no Brasil há 18 anos, fez uma apresentação de dança indiana e depois fez uma palestra muito interessante. O foco da palestra era Yoga e dança indiana, entretanto algumas considerações sobre religião chamaram minha atenção. O Padre Joachim falou sobre o nascimento da religião hindu, destacando a ideia de "terra fértil". Em síntese, disse que no deserto - ante as características daquele ambiente - é para o céu que o homem olha, e lá estaria deus. Para as religiões originadas em terras férteis, vê-se fora um reflexo do universo interior, e quando o universo interno está organizado e equilibrado, sente-se o aspecto divino - ou seja, deus está dentro. Sobre reencarnação, falou dos ciclos da terra, claramente vistos na terra fértil, em razão do que é natural crer em reencarnação, ou seja, a cultura precede a crença e o dogma.
Reproduzo abaixo um artigo que encontrei, do Padre Joachim, publicado no site: http://www.pucrs.br/mj/artigo-a-pluralidade-e-o-dialogo-entre-as-religioes.php : 

A pluralidade e o diálogo entre religiões
     
       Percebe-se que nos últimos dez anos as grandes tradições religiosas vêm tomando consciência da necessidade de estabelecer relações mútuas que favoreçam a convivência harmoniosa entre elas. Os contextos de globalização, e de comunicação, bem como as relações internacionais promovem a imigração de pessoas qualificadas em diversas áreas, no Oriente e Ocidente, e facilitam a integração de etnias e religiões.    Esta realidade trouxe um novo tema à Sociologia, à Antropologia e às Ciências da Religião: a co-existência cultural, que por sua vez, requer a prática do diálogo inter-religioso, introduzindo um cenário de diálogo entre as diferentes religiões no espaço brasileiro, tanto no âmbito do ensino religioso como na convivência social.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

"A CURA ESTÁ NO DOENTE" - ENTREVISTA COM O CIRURGIÃO PAULO TARSO DE LIMA

Não é habitual ouvir um médico respeitável, de uma instituição de saúde modelar, falar sobre o papel da energia do corpo humano e da religião no caminho para a cura. É justamente o caso do cirurgião Paulo de Tarso Lima, coordenador do Departamento de Medicina Integrativa e Complementar do Hospital Albert Einstein, de São Paulo. A medicina integrativa é uma prática em ascensão. Surgida nos Estados Unidos na década de 1970, une a medicina tradicional oriental, com sua abordagem holísitica, e a ocidental, apoiada na produção científica e na tecnologia. A reunião tem revolucionado a busca pela cura de doenças como o câncer. "A idéia não é excluir nada, mas juntar tudo e mostrar que a pessoa é detentora da capacidade de cura da própria doença", afirma Lima, que estudou a medicina integrativa na Universidade do Arizona (EUA) e cursa o primeiro ano da Barbara Brenner School of Healing, na Flórida, onde a cura é perseguida a partir do estudo da energia humana. O médico é também autor do livro Medicina Integrativa - A Cura pelo Equilíbrio. Na entrevista a seguir, ele explica os fundamentos da medicina integrativa e aposta que a prática vai se espalhar por aqui por razões econômicas - por ora, apenas alguns hospitais e somente cinco universidades brasileiros se dedicam ao assunto.


Afinal, o que é medicina integrativa?

É um movimento que surgiu nos Estados Unidos na década de 1970 e que começou a ser organizado com mais rigor na década de 1980, quando entrou para as faculdades de medicina. Hoje, existem 44 universidades americanas ligadas à pratica, que traz uma visão mais holística da pessoa no seu todo: corpo, mente e espírito. O que buscamos é oferecer uma assistência com informação e terapias que vão além da medicina convencional para ajudá-la a se conectar com a promoção de saúde. Eu não tenho a menor dúvida de que a medicina convencional é extremamente efetiva em se tratando de doença, mas saúde não é apenas ausência de doença.



Que terapias são essas?

Sistemas tradicionais como a medicina chinesa e indiana nos oferecem uma gama de alternativas, como acupuntura, Reiki, yoga, entre outras, que trabalham a energia do nosso corpo, estimulando uma reação aos sintomas das doenças. A idéia desse movimento não é excluir nada, mas juntar tudo e mostrar que a pessoa é detentora da capacidade de cura da própria doença. Isso é uma mudança de paradigma, porque a possibilidade de voltar ao estado saudável não é algo dado à pessoa, mas é algo inato a ela.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A MÚSICA EM NÓS















Na minha opinião, o melhor, e um depoimento incontestável da doçura de Michael Jackson:

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Derrame de percepção - Dra.Jill Bolte Taylor







"Comecei a estudar o cérebro porque eu tenho um irmão diagnosticado com uma disfunção cerebral, a esquizofrenia. E como irmã e cientista, eu queria entender como eu faço para que os meus sonhos se conectarem com a realidade e se tornarem verdade – o que é o que acontece com o cérebro de meu irmão e sua esquizofrenia que ele não consegue conectar sua imaginação com o mundo real, e então ele se torna alucinado (Ou doente).
Então eu dediquei minha carreira em pesquisas sobre doenças mentais graves. Me mudei de minha casa em Indiana para Boston onde eu trabalhava no laboratório do Dr. Francine Benes, no departamento de Psiquiatria de Harvard. E no laboratório, nós nos perguntávamos uma questão, Quais são as diferenças biológicas entre os cérebros de indivíduos diagnosticados como normais em comparação com os que são diagnosticados com esquizofrenia ou transtorno bipolar. (schizoaffective não sei o que significa)
Estávamos mapeando o microcircuito do cérebro, quais células estão se comunicando com quais células através de quais elementos químicos e em que quantidade. Então havia muito sentido nesse meu tipo de vida porque eu estava fazendo esse tipo de pesquisa durante meu trabalho. Durante a noite e nos finais de semana eu viajava pela NAMI (National Alliance on Mental Illness)
Na manhã de dia 10 de Dezembro de 1996 eu acordei e descobri que eu tinha um distúrbio no cérebro. Um vaso sanguíneo explodiu no lado esquerdo do meu cérebro. E durante 4 horas observei meu cérebro se deteriorar completamente em suas habilidades em processar qualquer informação. Na manhã da hemorragia eu não conseguia andar, falar, ler, escrever ou me lembrar da minha vida. Me tornei um recém nascido no corpo de uma mulher adulta.
Se você já viu um cérebro humano fica óbvio que os dois hemisférios são completamente separados um do outro. E eu tenho um cérebro humano real aqui [Obrigado]. Isso é um cérebro humano. Aqui é a frente do cérebro, a parte de trás com o cordão espinhal pendurado e assim é como está posicionado dentro da minha cabeça. E quando você observa o cérebro, é óbvio que os dois hemisférios são completamente separados um do outro. Para quem entende de computadores, nosso lado direito funciona como um processo paralelo. Já o nosso lado esquerdo funciona como um processador serial. Os dois hemisférios se comunicam através do corpus collosum que é constituído de 300 milhões de fibras (axonal). Mas sem contar isso, eles são completamente separados. Como eles processam informação de forma diferente, cada lado do cérebro pensa em coisas diferentes, se importam com coisas diferentes e posso dizer que têm personalidades diferentes.
Nosso hemisfério direito é todo esse momento, sobre aqui e agora. Nosso hemisfério direito pensa em imagens e aprende kinesthetically através dos movimentos do corpo. Informação em forma de energia corre simultaneamente por todo nosso sistema sensorial. E então explode nessa enorme imagem (colagem) sobre o que significa esse momento presente. Quais os cheiros desse momento, os gostos, como é sentido e como é escutado. Eu sou um ser energético (?) conectado com toda a energia a minha volta por essa consciência do agora do lado direito do meu cérebro. Nós somos seres de energia conectados uns aos outros através da consciência do hemisfério direito como uma única família humana. E nesse momento, agora mesmo, todos somos irmãos e irmãs nesse planeta e estamos aqui para fazer o mundo melhor. E esse momento é perfeito. Nós estamos unidos. E somos maravilhosos.
Já o meu lado esquerdo é um lugar bem diferente. Nosso lado esquerdo pensa de forma linear e metódica. Ele pensa sobre em todo nosso passado, e também no futuro. O hemisfério esquerdo é desenhado para pegar essa enorme imagem desse exato momento e capturar mais detalhes e mais detalhes e ainda mais detalhes sobre os detalhes. Então ele classifica e organiza todas essas informações. Associa isso com tudo que aprendeu no passado e projeta todas as possibilidades disso para o futuro.E nosso lado esquerdo pensa na linguagem. E esse fluxo constante de informação do cérebro que conecta meu mundo interno com meu mundo externo. É aquela voz dentro da gente que me diz: “Você precisa se lembrar de comprar algumas bananas quando voltar para casa e come-las pela manhã”. É essa inteligência calculista que me lembra que tenho que lavar minhas roupas. Mas o mais importante, é que essa voz me diz: “Eu sou. Eu sou.” E no momento em que meu hemisfério esquerdo me diz “Eu sou” eu me torno separado. Me torno um indivíduo separado do fluxo de energia à minha volta e me separo de você.
E essa foi a parte do meu cérebro que eu perdi na manhã do meu derrame.
Na manhã do meu derrame, acordei com uma dor pulsante no meu olho esquerdo. E era uma dor do tipo causado por aquelas mordidas em sorvete. E a dor vinha e desaparecia, vinha e desaparecia e era muito estranho para mim sentir qualquer tipo de dor e então eu pensei: OK. Vou simplesmente seguir com minha rotina normalmente. Então eu fui até meu cardio glider (aparelho ginástica) que é uma máquina que exercita todo o meu corpo. E eu estava me exercitando nele quando me dei conta de que minhas mãos pareciam com garras primitivas segurando na barra do aparelho. Pensei: “Isso é muito incomum” e então olhei para meu todo meu corpo e pensei “Nossa, eu sou um ser esquisito”. Isso foi como se minha consciência tivesse mudado da minha percepção normal da realidade onde eu sou uma pessoa em um equipamento tendo uma experiência, para algo esotérico onde eu era um espectador de mim mesmo tendo essa experiência.
Isso tudo foi muito incomum e minha dor de cabeça estava piorando, saí do equipamento de ginástica e fui andando pela minha sala e percebi que tudo dentro do meu corpo estava lento, cada passo era muito firme e deliberado. O meu passo não fluía normalmente e tinha essa contrição na área de minhas percepções e eu estava focada nos meus sistemas internos. Então estou dentro do meu banheiro começando a tomar banho e eu podia ouvir o diálogo dentro do meu corpo, eu ouviu aquela voz dizendo “Músculos, agora é hora de contrair, músculos esse é o momento de relaxar”
Perdi meu equilíbrio e me apoiei na parede. Olhei para baixo na direção do meu braço e percebi que eu não conseguia mais definir os limites do meu corpo, onde eu começava e onde eu terminava. Porque os átomos e moléculas do meu braço estavam misturados com os átomos e moléculas da parede e tudo o que eu conseguia perceber e notar era a energia. Energia. E me perguntei: “O que está acontecendo comigo?” e nesse momento toda a “conversa” (no sentido de informação) do meu cérebro, do hemisfério esquerdo do meu cérebro entrou em profundo silêncio, como alguém que pega um controle remoto e aperta o botão mudo – silêncio total.
No primeiro momento me senti chocada ao me sentir com a mente em total silêncio. Mas imediatamente me senti atraída pela magnífica energia à minha volta. E porque eu não conseguia identificar as fronteiras do meu corpo meu senti gigante e expansiva, me senti como toda a energia é e era muito bonito aquilo.
De repente o meu hemisfério esquerdo voltou e me disse: “Hey, nós temos um problema, nós temos um problema, nós precisamos buscar ajuda” e era como, OK, OK, eu tenho um problema, mas eu voltava a essa consciência que eu carinhosamente dei o nome de La La Land, e era lindo lá. Imagine estar completamente desconectado das informações no seu cérebro que te conectam com o mundo exterior. Então aqui estou nesse espaço e não existe nenhuma preocupação comigo, com o meu trabalho, tudo sumiu e eu me senti mais leve no meu corpo e imagine todos as suas relações com o mundo exterior e as várias preocupações relacionadas com elas, tudo tinha desaparecido. Senti uma sensação de paz e imagine o que seria sentir perder 37 anos de bagagem emocional! Senti euforia. Euforia é maravilhoso – e então meu hemisfério esquerdo voltou e disse: “Hey, você precisa prestar atenção, precisamos encontrar ajuda” e pensei “Vou conseguir ajuda, vou focar nisso” Saí do chuveiro, me vesti e andando pelo meu apartamento estava pensando “Eu preciso ir trabalhar, preciso ir trabalhar. Eu consigo dirigir? Eu consigo dirigir?”
Foi nesse momento que meu braço direito ficou paralisado e pensei “O meu Deus! Estou tendo um derrame! Estou tendo um derrame!” e a próxima coisa que meu cérebro me disse foi “Nossa! Isso é legal, isso é legal. Quantos neurocientistas têm a oportunidade de estudar seu próprio cérebro do lado de dentro?”
Mas veio algo em minha mente: “Sou uma mulher ocupada. Não tenho tempo para um derrame!” e era como eu me dissesse: “OK, eu não posso parar o derrame então vou fazer isso por uma semana ou duas e voltar a minha rotina”
Eu tinha que chamar ajudar, precisava ligar para o meu trabalho. Não conseguia me lembrar do número do telefone, me lembrei que em meu escritório em casa tinha um cartão com o número. Fui ao meu escritório e encontrei vários cartões juntos e eu estava olhando para o 1° cartão e embora eu conseguia ver em minha mente como meu cartão era, eu não conseguia dizzer se aquele era meu cartão ou não, porque tudo que eu conseguia ver eram pontos (pixels). E os pontos das letras se misturavam com os pontos do fundo e dos símbolos e eu não entendia. Teria que espera um momento de clareza e então eu poderia saber qual era o cartão. Demorou 45 minutos para isso acontecer.
Nesses 45 minutos a hemorragia foi crescendo no meu cérebro, eu não entendi número, não entendia o telefone, mas esse era o único plano que eu tinha. Peguei o teclado do telefone e coloquei aqui, o cartão coloquei aqui e eu estava tentando combinar as formas no cartão com as formas no telefone. Só que em breve eu voltaria para a La La Land e não me lembraria qual número eu tinha discado ou não.
Tive que usar meu braço paralisado para cobrir os números a medida que os apertava, dessa forma eu saberia qual número tinha discado ou não. Consegui em certo momento discar todos os números e estava escutando o telefone e um colega meu atendeu de me disse: “Whoo, woo, wooo woo woo” Então pensei comigo “Meu Deus, ele parece um cachorro!” Então eu pensei claramente na minha mente “Aqui é a Jill! Eu preciso de ajuda!” E o que saiu da minha voz foi “Whoo woo wooo woo woo” Pensei “Oh Meu Deus, eu que pareço um cachorro” Assim eu não podia saber se eu não conseguia falar ou entender a linguagem humana.
Então ele percebeu que eu precisava de ajuda e me ajudou. Pouco tempo depois eu estava em uma ambulância indo de um hospital para outro então eu me senti em uma pequena bola fetal e como um balão com somente um resto de ar dentro senti minha energia me abandonar e senti meu espírito se rendendo. E nesse momento eu percebi que não era mais o coreógrafo da minha vida e nem os médicos que me resgataram e me deram uma secunda chance ou esse era talvez um momento de transição.
Quando eu acordei no final da tarde fiquei chocada em descobrir que ainda estava viva. Quando senti meu espírito se rendendo, disse adeus a minha vida, e a minha mente estava agora suspensa entre dois planos opostos da realidade. Os estímulos que me chegavam me causavam dor. A luz queimava o meu cérebro como fogo e os sons eram tão altos e caóticos que eu não conseguia separar uma voz do som de fundo e só queria sair dali. Porque eu não conseguia identificar a posição do meu corpo no espaço, me sentia enorme e expansiva, como um gênio que acabou de ler libertado de sua lâmpada. E meu espírito parecia livre como uma baleia navegando pelo oceano do silêncio eufórico. Harmonioso. Me lembro de pensar que não haveria como eu espremer novamente esse meu Eu enorme dentro daquele pequeno corpo.
E percebi: “Eu ainda estou viva! Ainda estou viva e encontrei o Nirvana. Encontrei o Nirvana e ainda estou viva, então todos que estão vivos podem encontrar o Nirvana” Imaginei um mundo cheio de beleza, paz, compaixão e pessoas que sabem que eles podem ir para aquele espaço na hora que quiserem e que eles podem escolher de forma proposital sair (mudar) do lado direito do cérebro para o esquerdo e encontrar a paz. E então percebi que tremendo presente essa experiência poderia ser, que um derrame (stroke of insights) poderia ser o modo como vivemos nossas vidas e isso me motivou a me recuperar.
Duas semanas e meia após minha hemorragia, os cirurgiões removeram um coágulo do tamanho de uma bola de golf que estava pressionando o meu centro de linguagens no cérebro. Aqui sou eu com minha mamãe que é um verdareiro anjo na minha vida. Demorou 8 anos para eu me recuperar.
Então, quem somos nós? Nós somos a força de vida poderosa do universo, com habilidades manuais e duas mentes. E nós temos o poder de escolher, a cada momento, quem e como nós queremos ser no mundo. Aqui e agora, nós podemos entrar no nosso lado direito do cérebro – Eu sou – a força de vida poderosa do universo, e a força poderosa de 50 trilhões de belas moléculas que me dão forma. Como um em tudo que é. Ou eu posso escolher pular para o lado esquerdo do meu cérebro, onde eu me torno um único indivíduo, sólido, separado de todo o fluxo, separado de você. Eu sou a Drª Jill Bolte Taylor, intelectual, neuroanatomista. Esses são o “nós” dentro de mim.
O que você vai escolher? O que você vai escolher? E quando? Acredito que quanto mais tempo escolhermos entrar nos profundos e pacíficos circuitos do nosso lado direito do cérebro, mais paz nós vamos projetar para o mundo e mais pacífico nosso planeta será. E eu acho que essa idéia que deveria ser espalhada."

terça-feira, 29 de junho de 2010

SOBRE CARÊNCIA

"Curando as feridas da criança interior

Bel Cesar 


Quando o amor foi Insuficiente


Você sente que recebeu amor suficiente quando era criança? Cada um, a seu modo, tem uma história para contar… Basta escutar os enredos que surgem quando sonhamos dramas baseados no abandono e na carência afetiva. Há sonhos - ou melhor, pesadelos - que nos paralisam na sensação de uma intensa dor sem saída: resta-nos apenas a esperança de que um herói, que tenha coragem no coração, venha nos salvar! Apesar dessa força extra encontrar-se em nosso interior, nós a projetamos para fora de nós. Este é um hábito mental que desenvolvemos quando ainda éramos crianças.

É como escreve o mestre budista Tarthang Tulku em seu livro A mente oculta da liberdade: “À maioria de nós foi ensinado que o amor se acha fora de nós mesmos – é algo a ser obtido. Por isso, quando o encontramos, nós o agarramos firmemente, como se não houvesse o suficiente para todos. No entanto, na medida em que o amor se torna apego egoísta, nós nos isolamos da verdadeira intimidade. O amor mais gratificante que podemos vivenciar é o que já existe dentro de nós, no coração de nosso ser. Aí se encontra uma infinita fonte de calor, que podemos usar para transformar nossa solidão e infelicidade. Ao entrar em contato com essa energia nutriente, descobrimos os recursos interiores necessários para sermos verdadeiramente responsáveis pelo nosso próprio crescimento e bem-estar”.
Mensagens como essa são um estímulo de coragem e libertação para aqueles que já se sentem comprometidos com o caminho da transformação interior. Mas temos que admitir que enquanto estivermos presos à dor da carência e da falta de amor, não será suficiente saber racionalmente que sofremos porque não sabemos amar verdadeiramente.
Será preciso reviver a dor do abandono sob um novo prisma para superá-la.
Racionalizar a dor emocional faz parte do processo para curá-la, mas, em si, não é uma experiência capaz de gerar uma mudança autêntica e profunda.
Portanto, devemos partir do pressuposto de que não há nada de extraordinário no fato de admitir que recebemos amor insuficiente quando éramos crianças. Pois será a partir da aceitação desta falta que iremos encontrar forças para resgatar nosso amor interior.
Eva Pierrakos e Judith Saly dedicaram todo um capítulo a esta questão em seu livro Criando união (Ed. Cultrix). Elas escrevem: “Como as crianças muito raramente recebem suficiente amor maduro e bondade, elas continuam a ansiar por ele durante toda a vida, a menos que a falta e a mágoa sejam reconhecidas e devidamente manejadas. Caso contrário, os adultos seguirão pela vida chorando inconscientemente pelo que não tiveram na infância. Isso fará deles pessoas incapazes de amar com maturidade. Vocês podem ver como esta situação passa de geração em geração”.
Podemos não parar para pensar sobre como anda nosso fluxo de contabilidade do amor em nosso interior. Mas é importante nos conscientizarmos do forte elo que existe entre as nossas ansiedades de infância e as dificuldades afetivas que enfrentamos enquanto adultos.
O ponto de partida para romper esta linhagem de amor imaturo encontra-se num exercício de mão dupla: se por um lado passamos a nos abrir para aceitar o fato de que nos faltaram experiências significativas de reconhecimento de afeto, por outro, ficamos cientes de que esses sentimentos de carência e abandono não nos levarão a lugar nenhum. Isto é, a intenção de admitir a dor está vinculada à decisão de superá-la, e não de recriá-la!
Remoer a dor infantil sem a correspondente vontade de sair dela é como andar para trás, isto é, estaremos repetindo assim apenas os padrões emocionais já conhecidos em vez de refinar nossa alma.
A dinâmica do querer ser amado transforma-se no desejo de amar quando nos conscientizamos de uma vez por todas de que não adianta querermos que as coisas sejam diferentes ou que as pessoas aprendam a amar com maturidade para sermos mais bem servidos em matéria de amor.
Quando nos dispomos a amar verdadeiramente, damos inicio à jornada do amor maduro. Esta é uma bela frase; no entanto, só terá sentido quando nos propusermos a redirecionar nossas emoções de abandono e carência, isto é, quando não temermos mais sentí-las.
É preciso voltar ao local do crime para desvendar o mistério. As autoras Eva Pierrakos e Judith Saly revelam, no livro Criando união, um método de autoconhecimento para aplicarmos nos momentos em que reconhecermos, por trás de nossa raiva, frustração e ansiedade, a dor de não termos sido amados na infância: “Quando sentirem a dor de não serem amados no problema atual, ela servirá para despertar a dor da infância. Pensando na dor presente, voltem ao passado e tentem reconsiderar a situação com seus pais: o que eles lhe deram, o que vocês sentiam de fato por eles. Vocês perceberão que, sob muitos aspectos, sentiam falta de algumas coisas que nunca viram antes com clareza - porque não queriam ver. Vocês descobrirão que essa carência deve ter sido dolorosa na infância, mas a mágoa pode ter sido esquecida no nível consciente. No entanto, ela absolutamente não está esquecida. A dor causada pelo problema atual é exatamente a mesma dor do passado. Agora, reavaliem a dor atual, comparando-a com a da infância. Finalmente, será possível perceber que ambas são uma só. […] Depois de sincronizar as duas dores e perceber que elas são uma só, o passo seguinte é muito mais fácil”.
A cura, então, surge na medida em que reconhecemos que não somos mais tão indefesos diante da dor quanto pensávamos na infância. Como completam as autoras: “Já não precisarão ser amados como precisavam na infância. Primeiro, vocês adquirem consciência de que é isso o que ainda desejam, e depois já não buscam esse tipo de amor. Como vocês não são mais crianças, buscarão o amor de forma diferente, dando em vez de esperar receber”.
Quando filtramos a dor emocional por meio dos recursos já adquiridos na atualidade, vamos mesclando à dor passada a compreensão que nos faltava. Desta maneira, a necessidade de ser reconhecido pode ser substituída pela autovalidação. Do mesmo modo, a necessidade de expressar as emoções contidas poderá encontrar novos recursos de comunicação. Passamos a selecionar melhor as pessoas, e as situações nas quais poderemos finalmente nos tornar criativos e contribuir com nossa individualidade para o crescimento coletivo.
Em resumo, precisamos aprender a não temer nossas emoções fragilizadas pela falta de amor. Ao sentí-las, poderemos simplesmente nos posicionar positivamente e dizer: “OK, naquela época eu não tinha recursos para lidar com esta falta, por isso passei a pensar que não havia nada a fazer senão esperar passivamente por amor. Agora, posso agir, pois tenho minha consciência a meu favor, assim como a vontade de amar cada vez mais e melhor”.

Bel Cesar é terapeuta e dedica-se ao atendimento de pacientes que enfrentam o processo da morte.

Autora dos livros Viagem Interior ao Tibete, Morrer não se improvisa, O livro das Emoções e Mania de sofrer pela editora Gaia.Visite o Site






* Foto: Flora Guiet em cena "O fabuloso destino de Amèlie Poulain"